segunda-feira, 31 de março de 2014

Educação inclusiva da Pessoa Surda na Escola Comum



Educação inclusiva da Pessoa Surda na Escola Comum

A Escolarização das pessoas com surdez historicamente foi marcada por conflitos ligados às questões linguísticas e devido suas condições comunicativas, por muito tempo estes sujeitos ficaram a margem do convívio social devido a perda auditiva. Somente depois de muito tempo, é que começou-se a pensar propostas para escolarização das mesmas. Entretanto surgiram propostas assistencialistas, filantrópicas e clinicas, com o objetivo de normalização da surdez.
Com o desenvolvimento cientifico surgiram novas abordagens educativas para as pessoas com surdez.  Nesse sentido, há três abordagens educacionais  foram desenvolvidas  no processo educacional para alunos surdos: o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo. Destes três métodos o Biliguismo é o que mais tem obtido resultados positivos. Este método objetiva capacitar a pessoa com surdez para a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social, quais sejam: a Língua de Sinais e a língua da comunidade ouvinte, e é o mais se aproxima da real necessidade dos surdos, pois através do bilinguismo o aluno poderá aprender e ser alfabetizado em sua língua materna, ou seja língua de sinais. Goldfeld (1997, p.25) nos indica que os problemas comunicativos e cognitivos das pessoas com surdez não estão relacionados somente ao déficit auditivo que elas apresentam. Mas também, que o problema se encontra “no meio social em que ela está inserida, que frequentemente não é adequado, ou seja, não utiliza uma língua que essa criança tenha condições de adquirir de forma espontânea, a língua de sinais”.
Em 2008, o MEC lança  A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva com a proposta de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Nesse sentido a escola comum deverá  ofertar matriculas no ensino regular para o aluno com surdez, também deve ofertar o AEE em Libras e o AEE de Libras, contemplando assim o atendimento na sala de aula comum e na sala multifuncional com um atendimento mais individualizado, atendendo as suas particularidades.
Não se trata da normalização das pessoas com surdez, mas de  garantir a estas pessoas que sejam disponibilizados os recursos necessários para a superação de barreiras no processo educacional, para que possa de fato exercer seus direitos enquanto cidadãos.
A inclusão escolar que a escola comum se aperfeiçoe no sentido de práticas  pedagógicas significativas para a aprendizagem de todos os alunos. Nesse sentido nas práticas para pessoas com surdez é necessário que a comunidade escolar aprenda a língua de sinais, mas também precisa de ações que façam sentido para os surdos, por meio de intervenções pedagógicas, onde ocorra as trocas simbólicas e o desenvolvimento cognitivo desses alunos. Sem essas condições a capacidade cognitiva, afetiva e social dos mesmos, compromete o desenvolvimento do pensamento. Para Poker (2001) a natureza do problema cognitivo das pessoas com surdez está relacionado a deficiência das trocas simbólicas, ou seja, o meio escolar não expõe esses alunos a   solicitações capazes de exigir deles coordenações mentais mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo da abstração reflexionante.  
No sentido de desenvolver a capacidade representativa e linguística dos alunos em com surdez, sua escolarização deve acontecer na escola comum, onde também deve ser atendido no AEE, onde serão comtemplados o ensino de Libras, o ensino em Libras e o ensino em Língua Portuguesa.
Na proposta da educação bilíngue para alunos com surdez, a escola assume um a politica linguística, onde duas línguas co-existirão no espaço escolar.
Entretanto, ainda existe muita discussão em torno da educação escolar das pessoas com surdez. Mas é importante considerar que os mesmos têm direito ao acesso ao conhecimento, à acessibilidade e ao AEE, que por si só já representam um grande desafio a inclusão. Mas é preciso ampliar a visão que reduz os problemas da escolarização das pessoas com surdez ao campo linguístico e amplia-lo para os campos sócio políticos (  BUENO, 2001, 41).