Educação inclusiva da Pessoa Surda na Escola Comum
A Escolarização
das pessoas com surdez historicamente foi marcada por conflitos ligados às
questões linguísticas e devido suas condições comunicativas, por muito tempo
estes sujeitos ficaram a margem do convívio social devido a perda auditiva. Somente
depois de muito tempo, é que começou-se a pensar propostas para escolarização das
mesmas. Entretanto surgiram propostas assistencialistas, filantrópicas e
clinicas, com o objetivo de normalização da surdez.
Com o
desenvolvimento cientifico surgiram novas abordagens educativas para as pessoas
com surdez. Nesse sentido, há três abordagens
educacionais foram desenvolvidas no processo educacional para alunos surdos: o oralismo,
a comunicação total e o bilinguismo. Destes três métodos o Biliguismo é o que mais
tem obtido resultados positivos. Este método objetiva capacitar a pessoa com surdez para
a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social, quais
sejam: a Língua de Sinais e a língua da comunidade ouvinte, e é o mais se aproxima
da real necessidade dos surdos, pois através do bilinguismo o aluno poderá aprender
e ser alfabetizado em sua língua materna, ou seja língua de sinais. Goldfeld (1997, p.25) nos indica que os
problemas comunicativos e cognitivos das pessoas com surdez não estão
relacionados somente ao déficit auditivo que elas apresentam. Mas também, que o
problema se encontra “no meio social em que ela está inserida, que
frequentemente não é adequado, ou seja, não utiliza uma língua que essa criança
tenha condições de adquirir de forma espontânea, a língua de sinais”.
Em 2008, o MEC lança A Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva com a proposta de mudanças no ambiente
escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e
aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Nesse sentido a escola comum deverá ofertar matriculas no ensino regular para o
aluno com surdez, também deve ofertar o AEE em Libras e o AEE de Libras,
contemplando assim o atendimento na sala de aula comum e na sala multifuncional
com um atendimento mais individualizado, atendendo as suas particularidades.
Não se trata da normalização das
pessoas com surdez, mas de garantir a
estas pessoas que sejam disponibilizados os recursos necessários para a
superação de barreiras no processo educacional, para que possa de fato exercer
seus direitos enquanto cidadãos.
A inclusão escolar que a escola
comum se aperfeiçoe no sentido de práticas
pedagógicas significativas para a aprendizagem de todos os alunos. Nesse
sentido nas práticas para pessoas com surdez é necessário que a comunidade
escolar aprenda a língua de sinais, mas também precisa de ações que façam
sentido para os surdos, por meio de intervenções pedagógicas, onde ocorra as
trocas simbólicas e o desenvolvimento cognitivo desses alunos. Sem essas
condições a capacidade cognitiva, afetiva e social dos mesmos, compromete o
desenvolvimento do pensamento. Para Poker (2001) a natureza do problema
cognitivo das pessoas com surdez está relacionado a deficiência das trocas
simbólicas, ou seja, o meio escolar não expõe esses alunos a solicitações capazes de exigir deles
coordenações mentais mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo da abstração
reflexionante.
No sentido de desenvolver a
capacidade representativa e linguística dos alunos em com surdez, sua
escolarização deve acontecer na escola comum, onde também deve ser atendido no
AEE, onde serão comtemplados o ensino de Libras, o ensino em Libras e o ensino
em Língua Portuguesa.
Na proposta da educação bilíngue
para alunos com surdez, a escola assume um a politica linguística, onde duas
línguas co-existirão no espaço escolar.
Entretanto, ainda existe muita
discussão em torno da educação escolar das pessoas com surdez. Mas é importante
considerar que os mesmos têm direito ao acesso ao conhecimento, à
acessibilidade e ao AEE, que por si só já representam um grande desafio a
inclusão. Mas é preciso ampliar a visão que reduz os problemas da escolarização
das pessoas com surdez ao campo linguístico e amplia-lo para os campos sócio
políticos ( BUENO, 2001, 41).
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